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Vitória, ES, Brazil
Alguém que busca poesia no entre da vida.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Vitória/ES

Toda cidade tem seus encantos.
                                                           Vitória por si só é um encanto.
                                           


Não é à toa que és cidade sol com o ceu sempre azul...


 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade




Nao, meu coração não é maior que o mundo.
Ê muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo.
Por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens.
as diferentes dores dos homens.
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que elo estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! vai’ inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos —— voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de invidíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar.
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
— Ó vida futura! nós te criaremos

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SILENCIO

Água que escoa em dia de enxurrada
Casa sem risos de criança
Moveis arrumados e sem poeira
Rua sem gente
Corpo curvado de sentir
Desejo de silêncio
Passarinhos presos
Alegria sem som
Saudade de amanhã
Moro na casa ao lado
E não te vejo
Moro na casa ao lado
E voce não me vê

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Novos amigos

Tenho andado por ai com Manoel e Carlos
até na aula eles me acompanham
De Manoel tenho ciúmes e com Carlos cumplicidades
Relação dupla e prazerosa
Em pequenas doses usufluo um pouquinho de cada um
Sem forma e ordem a seguir
Eles conseguem me dividir e me somar
Busco oxigênio
na Poesia do Drumond e de Barros
sim na poesia do Carlos e do Manoel
amigos de ontem e de hoje
que redescobri em tempos assim

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DESPEDIDA

Se esta dádiva chamada vida será curta ou longa
Não temos como saber
Vivemos o tempo que nos é, por Ele, permitido viver
Nós viventes só sabemos viver...
Encontros e despedidas compõem a paisagem
Que ela vida intensa, pulsante, exagerada nos apresenta
Vida que de tanto jorrar se esvai um pouquinho a cada dia sem sequer sentirmos
Por vezes esquecemos que
Ele nos fez finitos por aqui
E eternos com Ele.
Sensação de solidão é às vezes inevitável
Aperto no peito, despedida que corta como navalha e só a gente parece sentir
Para os que amamos desejamos que a eternidade fosse aqui
Deles a saudade...
Mas, voltamos, pois amamos tantos outros neste estado finito por aqui
Na certeza, que neste curto espaço de tempo trazemos eternos em nós aqueles que Ele nos permitiu por determinado tempo
Amar, respeitar
Cuidadores que aprendemos a chamar de mãe e pai
E isto, independente se o nosso tempo e o tempo deles não seguiram um compasso assim tão sincronizado
Amor que não se mede em tempo disponibilizado
Amor que é da ordem do sentir
E do compartilhar,
Ainda que seja à distância por circunstâncias que se colocam
Continua sendo amor que se doa
E, diferentemente da vida que se esvai a cada dia o amor se fixa forjando laços de três dobras em nós, que de tão forte, o Outro que sente seu efeito lembrará e sempre será lembrado por nós onde quer que vá ou esteja.
Assim não estamos sós!!!!!!!!!

Ao meu amigo Ricardo neste momento de tamanha despedida

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

LAGRIMA É PESSOA DERRETIDA

Já pensou que lágrima é pessoa derretida?
Salgada e temperada pelas dores e alegrias vividas
Que de tanto derreter é possível encontrá-la por aqui por alí em pequenas poças
Pessoa endurecida é músculo tensionado
É feito amontoado de emoções, afetos e expressões contidas
E de tanto endurecer é possível evitá-la por aqui por alí
Possibilidades tantas não sentidas
Ou tão intensamente sentidas que ficou assim endurecida
Certo povo ao chorar costuma guardar suas lágrimas em odres
Talvez assim salgada a pessoa derretida alí se conserve
Já pensou que lágrima é pessoa derretida?

FELICIDADE

Dizem que a felicidade é estado de espírito
Que ela está nas coisas pequena, nos detalhes
Outros se arriscam a dizer que o que existe na vida são momentos felizes
e não felicidade em sua totalidade
Eu sigo preferindo sentí-la
As vezes ela surge intensa, as vezes distanciada
Ora recuada, ora tímida
Ou até disfarçada
Mas não importa como ela se apresente
Seu modos não fazem com que deixe de ser FELICIDADE

Na dureza da vida da menina havia poesia

É bem provável que a menina que vivia embalada pelas cantigas das cirandas de roda, pique esconde, bolinha de gude, queimada, pipas e tantas outras brincadeiras não parasse pra pensar na vida de adulto.
Só vivia, e sequer sentia a dureza da estrada, das encruzilhadas que a vida haveria de lhe apresentar
Das frestas na parede da casa suspensa por pedras que os amigos chamavam de arca de Noé quando a maré enchia podia sentir o vento e os cheiros mesmo durante a noite tranquila.
E do entre as madeiras do assoalho admirava, nestes dias, os pequenos peixes que vinham e formavam alí diante de seu olhar apertado um aquário particular.
E por horas esta menina ficava tentando caputurar os pequenos seres, convidando-os a com ela morar.
Seu quintal nos meses de março se tornava uma grande lagoa e as pedras uma após outra era o único acesso de entrada da casa.
Eram as águas de março fechando o verão com promessas de vida ao seu coração
Até capinar quintal alagado era engraçado
No calor a fio, o agrado era um picolé
Março trazia madrugadas onde a menina dormia em pé esperando que a aguá desistisse de sua casa, de seu sono, de sua cama e pelas frestas do assoalho por onde entrou retornasse deixando o cansaço
De dia limpar pra de madrugada a água da maré sujar
Dias e dias assim, limpar pra depois sujar
O quintal além de capim também convidava a diversão
Num velho barco feito de 'capu' de fusca 69 velejar
Entoando cantarolas lá ia a menina a remar
Pois é, a história da vida da menina contada assim pode até parecer um tormento sem fim
Mas, aos distraídos aviso a vida fazia-se potente e feliz
E a poesia morava no jeito simples de criança que só queria viver
Menina que fazia viver
Ah! menina
Me conta hoje seu caminhar?