Foi assim, tarde de feriado, convite a um chá
Um quarto, uma decoração nova a conhecer
Amigas sem idades, feito adolescentes que se jogam na cama
E alí debruçadas começam a prosa, os risos, as brincadeiras
O relógio em seu compasso espalhado pela casa registra ansioso o tempo
Aberta a geladeira, as gostosuras rumam à mesa em meio ao ir e vir da anfitriã
É calma, alegria, singela, amizade e confraternização que o encontro propõe
Uma prece inicial
À mesa não há constrangimentos, a casa parece extensão e pertencer a ambas
Há prazer na realização da outra, que inunda o lugar
Parece imperceptível, mas a poesia é o som que ocupa o lugar principal na casa
O lanche se estende à família que agrega um tom a mais
Em verso e em prosa segue mesa a fora
Mesmo saciadas alí continuam sentadas, porém agora a
Conversa é séria embalada ao cheiro do chá de laranja com canela
O relógio, aquele a esta altura se rende aos encantos daquelas que não viram o tempo passar
Alimentadas, retiram o excesso, recompõem a mesa e o sofá convida à conversa num ritmo de álbum de casamento e bodas de prata
Entre fotos, lembranças e suspiros saudosos
Cai à tarde, compromisso chama é hora de ir
Por fim, os braços se estendem se abrem e o abraço se faz apertado em meio à promessa de
tantas outras tardes que hão de vir
O som de louça sendo lavada, de chuveiro ligado e a despedida inusitada do marido
que ruboriza a face da amada
A descida até a garagem, a carona da garagem até a rua tão perto como pretexto
Como se entendessem o tempo, a vontade de ficar
Parecem não sentir que assim renovam suas forças em
Mais um abraço
Um retorno, uma frase final no vidro do carro
E a gentileza em esperar a outra partir
Foi assim a poesia de nosso chá, nossso encontro de amigas
Obrigada por me permitir sua amizade e fazer dela poesia
Obrigada.
Para minha amiga Norminha
terça-feira, 7 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Saudade
Embalado cuidadosamente para presente
Guardado como segredo
Longe da maldade é o teu lugar
Bem lá protegido de olhos e bocas ruins
Viu, perto de ti sou paz, riso fácil
Distante, uma tarde griz
Guardado como segredo
Longe da maldade é o teu lugar
Bem lá protegido de olhos e bocas ruins
Viu, perto de ti sou paz, riso fácil
Distante, uma tarde griz
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
É a vida
Traz olhos acizentados de ver
Nariz vício de cheiros
Ouvidos sons dispersos
Mãos estendidas ao acaso
Boca gasta de palavras
Corpo sinuoso de movimento
Ao longe, paisagem que brilha
Resposta em côro
É a vida meu amor!
É a vida que segue bela em seus devaneios de tanto sentir.
E com ela aqueles que insistem em viver.
Nariz vício de cheiros
Ouvidos sons dispersos
Mãos estendidas ao acaso
Boca gasta de palavras
Corpo sinuoso de movimento
Ao longe, paisagem que brilha
Resposta em côro
É a vida meu amor!
É a vida que segue bela em seus devaneios de tanto sentir.
E com ela aqueles que insistem em viver.
sábado, 14 de agosto de 2010
Menino que não é do Rio
Menino que não é do Rio
Cujo corpo não é bronzeado pelo sol e sim pela correria
Que traz seu dragão só no contorno, inacabado tatuado nas costelas e não num belo braço
Menino que não é do Rio, mas a intensidade de seu
calor também provoca arrepio
Calção e corpo aberto no espaço e pela pista à fora
Coração, desejo de eterno flerte com a vida e a morte
Menino que não é do Rio
Seu Havaí não é aqui
Nem todos os lugares, nem todas as ondas dos mares podereis ir
Menino que não é do Rio
Lamento dizer-te
Não sei se adorariam ver-te.
Quem sabe um dia!
Ao menino do dragão inacabado
Cujo corpo não é bronzeado pelo sol e sim pela correria
Que traz seu dragão só no contorno, inacabado tatuado nas costelas e não num belo braço
Menino que não é do Rio, mas a intensidade de seu
calor também provoca arrepio
Calção e corpo aberto no espaço e pela pista à fora
Coração, desejo de eterno flerte com a vida e a morte
Menino que não é do Rio
Seu Havaí não é aqui
Nem todos os lugares, nem todas as ondas dos mares podereis ir
Menino que não é do Rio
Lamento dizer-te
Não sei se adorariam ver-te.
Quem sabe um dia!
Ao menino do dragão inacabado
Inusitado
O inusitado traz consigo ritmo e tempo próprio
Atravessa, provoca, desestabiliza e desorganiza.
Se faz potência em corpo que vibra
Em formas imprecisas arremetendo-o a uma nova ordem
Habituando-se, torna-se conhecido.
Adormecendo feito criança em colo de mãe
repousando até novamente em inusitado se fazer
Em novas vivências e alianças com aqueles que se permitam
ao constante processo: ora incômodo, ora alegria.
Atravessa, provoca, desestabiliza e desorganiza.
Se faz potência em corpo que vibra
Em formas imprecisas arremetendo-o a uma nova ordem
Habituando-se, torna-se conhecido.
Adormecendo feito criança em colo de mãe
repousando até novamente em inusitado se fazer
Em novas vivências e alianças com aqueles que se permitam
ao constante processo: ora incômodo, ora alegria.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Menina amiga
Conheci uma menina falante que deixa a gente falar
Menina que de tanto gostar de poesia se perdeu delicadamente nela
e parece andar sumindo, flutuando entre - flor
Menina mineira com aroma de pão de queijo e café da manhã
Que quando frágil se esquece da força que tem
Menina que se permite às reverberações dos encontros
Que segue permeada vida à fora de poesia sentida, lançada entre os dedos
que escorre pela fala
Menina é doquê que andas cansada?
É de sentir o seu enfado?
Quisera ir com voce aos canteiros do descanso
E outrora apresentar-te os caminhos que trilhados te conduziriam a paz
Paz de alma, de certeza do possível
Menina amiga-irmã recente, do tipo eterna
Que deixa saudade quando vai, que traz confiança quando vem
e quando fica fortalece na aliança
A cá, obrigada
Para Carol
Menina que de tanto gostar de poesia se perdeu delicadamente nela
e parece andar sumindo, flutuando entre - flor
Menina mineira com aroma de pão de queijo e café da manhã
Que quando frágil se esquece da força que tem
Menina que se permite às reverberações dos encontros
Que segue permeada vida à fora de poesia sentida, lançada entre os dedos
que escorre pela fala
Menina é doquê que andas cansada?
É de sentir o seu enfado?
Quisera ir com voce aos canteiros do descanso
E outrora apresentar-te os caminhos que trilhados te conduziriam a paz
Paz de alma, de certeza do possível
Menina amiga-irmã recente, do tipo eterna
Que deixa saudade quando vai, que traz confiança quando vem
e quando fica fortalece na aliança
A cá, obrigada
Para Carol
sábado, 7 de agosto de 2010
Distraidamente
Tenho andado assim tão distraída de mim.
Unhas, cabelo e sobrancelhas por fazer
Um dia, até do banho, tão sagrado, esqueci.
Depressão? Desleixo? Acredito não!
Penso ser mera distração.
Tenho andado assim tão saudosa de mim.
Gestos, falas, jeitos, amigos
Tempo de mim...
Cheiro de mim, sabor de mim
Mudei, enveredei, pequei atalho sem volta.
Fiz percursos outros e não caibo mais em mim
Sou tantas e, às vezes distraidamente, nenhuma.
Unhas, cabelo e sobrancelhas por fazer
Um dia, até do banho, tão sagrado, esqueci.
Depressão? Desleixo? Acredito não!
Penso ser mera distração.
Tenho andado assim tão saudosa de mim.
Gestos, falas, jeitos, amigos
Tempo de mim...
Cheiro de mim, sabor de mim
Mudei, enveredei, pequei atalho sem volta.
Fiz percursos outros e não caibo mais em mim
Sou tantas e, às vezes distraidamente, nenhuma.
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