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Vitória, ES, Brazil
Alguém que busca poesia no entre da vida.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SILENCIO

Água que escoa em dia de enxurrada
Casa sem risos de criança
Moveis arrumados e sem poeira
Rua sem gente
Corpo curvado de sentir
Desejo de silêncio
Passarinhos presos
Alegria sem som
Saudade de amanhã
Moro na casa ao lado
E não te vejo
Moro na casa ao lado
E voce não me vê

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Novos amigos

Tenho andado por ai com Manoel e Carlos
até na aula eles me acompanham
De Manoel tenho ciúmes e com Carlos cumplicidades
Relação dupla e prazerosa
Em pequenas doses usufluo um pouquinho de cada um
Sem forma e ordem a seguir
Eles conseguem me dividir e me somar
Busco oxigênio
na Poesia do Drumond e de Barros
sim na poesia do Carlos e do Manoel
amigos de ontem e de hoje
que redescobri em tempos assim

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DESPEDIDA

Se esta dádiva chamada vida será curta ou longa
Não temos como saber
Vivemos o tempo que nos é, por Ele, permitido viver
Nós viventes só sabemos viver...
Encontros e despedidas compõem a paisagem
Que ela vida intensa, pulsante, exagerada nos apresenta
Vida que de tanto jorrar se esvai um pouquinho a cada dia sem sequer sentirmos
Por vezes esquecemos que
Ele nos fez finitos por aqui
E eternos com Ele.
Sensação de solidão é às vezes inevitável
Aperto no peito, despedida que corta como navalha e só a gente parece sentir
Para os que amamos desejamos que a eternidade fosse aqui
Deles a saudade...
Mas, voltamos, pois amamos tantos outros neste estado finito por aqui
Na certeza, que neste curto espaço de tempo trazemos eternos em nós aqueles que Ele nos permitiu por determinado tempo
Amar, respeitar
Cuidadores que aprendemos a chamar de mãe e pai
E isto, independente se o nosso tempo e o tempo deles não seguiram um compasso assim tão sincronizado
Amor que não se mede em tempo disponibilizado
Amor que é da ordem do sentir
E do compartilhar,
Ainda que seja à distância por circunstâncias que se colocam
Continua sendo amor que se doa
E, diferentemente da vida que se esvai a cada dia o amor se fixa forjando laços de três dobras em nós, que de tão forte, o Outro que sente seu efeito lembrará e sempre será lembrado por nós onde quer que vá ou esteja.
Assim não estamos sós!!!!!!!!!

Ao meu amigo Ricardo neste momento de tamanha despedida

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

LAGRIMA É PESSOA DERRETIDA

Já pensou que lágrima é pessoa derretida?
Salgada e temperada pelas dores e alegrias vividas
Que de tanto derreter é possível encontrá-la por aqui por alí em pequenas poças
Pessoa endurecida é músculo tensionado
É feito amontoado de emoções, afetos e expressões contidas
E de tanto endurecer é possível evitá-la por aqui por alí
Possibilidades tantas não sentidas
Ou tão intensamente sentidas que ficou assim endurecida
Certo povo ao chorar costuma guardar suas lágrimas em odres
Talvez assim salgada a pessoa derretida alí se conserve
Já pensou que lágrima é pessoa derretida?

FELICIDADE

Dizem que a felicidade é estado de espírito
Que ela está nas coisas pequena, nos detalhes
Outros se arriscam a dizer que o que existe na vida são momentos felizes
e não felicidade em sua totalidade
Eu sigo preferindo sentí-la
As vezes ela surge intensa, as vezes distanciada
Ora recuada, ora tímida
Ou até disfarçada
Mas não importa como ela se apresente
Seu modos não fazem com que deixe de ser FELICIDADE

Na dureza da vida da menina havia poesia

É bem provável que a menina que vivia embalada pelas cantigas das cirandas de roda, pique esconde, bolinha de gude, queimada, pipas e tantas outras brincadeiras não parasse pra pensar na vida de adulto.
Só vivia, e sequer sentia a dureza da estrada, das encruzilhadas que a vida haveria de lhe apresentar
Das frestas na parede da casa suspensa por pedras que os amigos chamavam de arca de Noé quando a maré enchia podia sentir o vento e os cheiros mesmo durante a noite tranquila.
E do entre as madeiras do assoalho admirava, nestes dias, os pequenos peixes que vinham e formavam alí diante de seu olhar apertado um aquário particular.
E por horas esta menina ficava tentando caputurar os pequenos seres, convidando-os a com ela morar.
Seu quintal nos meses de março se tornava uma grande lagoa e as pedras uma após outra era o único acesso de entrada da casa.
Eram as águas de março fechando o verão com promessas de vida ao seu coração
Até capinar quintal alagado era engraçado
No calor a fio, o agrado era um picolé
Março trazia madrugadas onde a menina dormia em pé esperando que a aguá desistisse de sua casa, de seu sono, de sua cama e pelas frestas do assoalho por onde entrou retornasse deixando o cansaço
De dia limpar pra de madrugada a água da maré sujar
Dias e dias assim, limpar pra depois sujar
O quintal além de capim também convidava a diversão
Num velho barco feito de 'capu' de fusca 69 velejar
Entoando cantarolas lá ia a menina a remar
Pois é, a história da vida da menina contada assim pode até parecer um tormento sem fim
Mas, aos distraídos aviso a vida fazia-se potente e feliz
E a poesia morava no jeito simples de criança que só queria viver
Menina que fazia viver
Ah! menina
Me conta hoje seu caminhar?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

CHÁ DE LARANJA COM CANELA

 Foi assim, tarde de feriado, convite a um chá
Um quarto, uma decoração nova a conhecer
Amigas sem idades, feito adolescentes que se jogam na cama
E alí debruçadas começam a prosa, os risos, as brincadeiras
O relógio em seu compasso espalhado pela casa registra ansioso o tempo
Aberta a geladeira, as gostosuras rumam à mesa em meio ao ir e vir da anfitriã
É calma, alegria, singela, amizade e confraternização que o encontro propõe
Uma prece inicial
À mesa não há constrangimentos, a casa parece extensão e pertencer a ambas
Há prazer na realização da outra, que inunda o lugar
Parece imperceptível, mas a poesia é o som que ocupa o lugar principal na casa
O lanche se estende à família que agrega um tom a mais
Em verso e em prosa segue mesa a fora
Mesmo saciadas alí continuam sentadas, porém agora a
Conversa é séria embalada ao cheiro do chá de laranja com canela
O relógio, aquele a esta altura se rende aos encantos daquelas que não viram o tempo passar
Alimentadas, retiram o excesso, recompõem a mesa e o sofá convida à conversa num ritmo de álbum de casamento e bodas de prata
Entre fotos, lembranças e suspiros saudosos
Cai à tarde, compromisso chama é hora de ir
Por fim, os braços se estendem se abrem e o abraço se faz apertado em meio à promessa de
tantas outras tardes que hão de vir
O som de louça sendo lavada, de chuveiro ligado e a despedida inusitada do marido
que ruboriza a face da amada
A descida até a garagem, a carona da garagem até a rua tão perto como pretexto
Como se entendessem o tempo, a vontade de ficar
Parecem não sentir que assim renovam suas forças em
Mais um abraço
Um retorno, uma frase final no vidro do carro
E a gentileza em esperar a outra partir
Foi assim a poesia de nosso chá, nossso encontro de amigas
Obrigada por me permitir sua amizade e fazer dela poesia
Obrigada.

Para minha amiga Norminha

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Saudade

Embalado cuidadosamente para presente
Guardado como segredo
Longe da maldade é o teu lugar
Bem lá protegido de olhos e bocas ruins
Viu, perto de ti sou paz, riso fácil
Distante, uma tarde griz